Single family office: quando faz sentido montar o seu

Single family office: quando faz sentido montar o seu

Single family office (SFO) é a estrutura que atende uma única família, com equipe contratada só para ela. Custa de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por ano e emprega de 3 a 15 pessoas, conforme o escopo.

A conta fecha a partir de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão de patrimônio. É o ponto em que o custo da estrutura cai abaixo de 0,5% ao ano, referência usual para comparar com o que um multi family office cobraria pelo mesmo serviço.

Abaixo disso, montar SFO significa pagar mais caro por menos capacidade: uma equipe de três pessoas não cobre gestão, tributário, jurídico e sucessão com a mesma profundidade que uma equipe compartilhada de quinze. A rota que a maioria das famílias entre R$ 10 e 300 milhões percorre é outra, e ela está na última seção.

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A matemática do ponto de virada

Compare o custo absoluto do SFO com o custo percentual do multi family office na faixa de 0,5% a 1,5% ao ano. O SFO vence quando o custo fixo, dividido pelo patrimônio, fica abaixo do que o MFO cobraria.

PatrimônioSFO enxuto (R$ 2 mi/ano)MFO a 1% a.a.Decisão
R$ 50 milhões4,0% a.a.R$ 500 milMFO ou wealth advisor
R$ 200 milhões1,0% a.a.R$ 2 milhõesEmpate no custo; MFO ganha em capacidade
R$ 500 milhões0,4% a.a.R$ 5 milhõesSFO passa a compensar
R$ 1 bilhão0,2% a.a. (ou SFO completo a 0,6%)R$ 10 milhõesSFO completo

A linha de R$ 200 milhões é a que engana. No papel o custo empata, mas um SFO de R$ 2 milhões ao ano compra três ou quatro profissionais, enquanto o MFO entrega acesso a uma equipe inteira pelo mesmo valor. Empate de custo com desvantagem de capacidade não é empate.

O que compõe o custo de R$ 1 a 10 milhões

Folha e encargos (60% a 70%). Um controller sênior custa de R$ 25 mil a R$ 45 mil por mês somando encargos. Um CIO com experiência de mesa institucional, de R$ 60 mil a R$ 150 mil. Bônus atrelado a resultado entra por cima e precisa estar no orçamento desde o desenho.

Sistemas e dados (10% a 15%). Consolidação patrimonial multi-custodiante, terminal de mercado, sistema contábil e ferramenta de reporte somam de R$ 150 mil a R$ 800 mil por ano.

Serviços externos (15% a 20%). Auditoria, advocacia societária, tributarista, avaliação de ativos ilíquidos. O SFO reduz o gasto com assessoria de investimento, mas não elimina os prestadores especialistas.

Estrutura física (5%). Escritório, seguros, infraestrutura de segurança da informação. Famílias que operam de dentro da empresa operacional economizam aqui e pagam em confusão contábil, o que costuma sair mais caro.

Riscos que ninguém coloca na planilha

Dependência de uma pessoa. Em SFO pequeno, o gestor único concentra conhecimento, relacionamento com os bancos e memória das decisões. A saída dele custa de 6 a 12 meses de reconstrução. Contratos com aviso longo e documentação obrigatória de processos reduzem a exposição.

Governança capturada. Executivo interno que responde ao fundador e não a um comitê tende a não trazer más notícias. É por isso que o comitê de investimentos precisa ter membro externo, tema tratado em governança familiar.

Fronteira regulatória. Quando o SFO passa a decidir alocação por conta própria, a atividade se aproxima de administração de carteiras, regulada pela CVM. Estruturas que atendem também primos, tios ou sócios não familiares já lidam com recurso de terceiro, e a análise muda. O desenho societário está em estrutura jurídica de family office.

Custo irreversível. Desmontar um SFO envolve rescisões, multas de contrato e a transição de custódia inteira. Famílias que montaram cedo demais levam de 12 a 18 meses e gastam de R$ 1 a 3 milhões para voltar ao arranjo anterior.

A rota híbrida, que é a mais usada

Entre R$ 10 e 300 milhões, o arranjo que funciona separa camada estratégica de camada de execução. Um wealth advisor independente cuida do plano patrimonial, da governança, da arquitetura sucessória e da supervisão do conjunto, com honorário fixo. Bancos, gestores e corretoras já contratados continuam executando.

A primeira contratação interna, quando vem, é o controller, não o gestor. Consolidação patrimonial confiável é o que mais falta em família que cresceu rápido, e é o que mais rapidamente se paga: sem número consolidado, toda decisão de alocação é feita no escuro.

A Roma Wealth opera nessa camada estratégica. O escopo é planejamento patrimonial e sucessório. Recomendação de investimento em valores mobiliários é atividade regulada pela CVM e exige registro próprio, então essa camada fica com prestadores autorizados. O comparativo entre os dois modelos de estrutura está em single vs multi family office.

Próximos passos

Perguntas frequentes

O que é single family office?
Single family office (SFO) é a estrutura que atende uma única família, com equipe contratada só para ela. Reúne de 3 a 15 profissionais entre gestão de investimentos, controladoria, jurídico patrimonial e secretaria executiva, e responde a um comitê e a um conselho formados pela própria família. Multi family office atende várias famílias e dilui a mesma equipe entre elas.
A partir de qual patrimônio vale um single family office?
A partir de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão no Brasil. O custo operacional de um SFO enxuto começa em R$ 1 milhão ao ano e chega a R$ 10 milhões em estruturas completas. Para o custo ficar abaixo de 0,5% do patrimônio, referência usual da indústria, é preciso base de pelo menos R$ 500 milhões. Abaixo disso, multi family office ou wealth advisor independente entregam a mesma função por uma fração do custo.
Quanto custa manter um single family office?
De R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por ano. Um SFO enxuto (3 a 4 pessoas: um gestor, um controller, um jurídico e apoio administrativo) custa de R$ 1,5 a R$ 3 milhões anuais somando folha, encargos, sistemas, auditoria e escritório. Estruturas com CIO dedicado, mesa própria e time de filantropia passam de R$ 6 milhões.
Quantas pessoas trabalham em um single family office?
De 3 a 15. O núcleo mínimo tem gestor de investimentos, controller e apoio jurídico. Estruturas maduras somam CIO, tributarista, gestor de imóveis, responsável por filantropia, secretaria executiva e, em algumas famílias, gestão de ativos de uso (aeronaves, propriedades, coleções).
Qual a diferença entre single family office e multi family office?
Exclusividade e custo. O SFO só atende uma família, o que dá controle total sobre prioridades, confidencialidade e velocidade de decisão, ao custo integral da estrutura. O MFO divide a equipe entre várias famílias e cobra de 0,5% a 1,5% ao ano, o que viabiliza serviços de family office a partir de R$ 10 a 30 milhões, com menos exclusividade e agenda compartilhada.
Quanto tempo leva para montar um single family office?
De 12 a 24 meses até a operação estabilizar. A definição de escopo e mandato leva de 2 a 4 meses; a contratação do primeiro executivo, de 4 a 8 meses, porque o perfil é escasso; a implantação de sistemas de consolidação e controladoria, de 6 a 12 meses. O primeiro ciclo anual completo é parte da montagem.
Dá para começar híbrido, sem montar tudo de uma vez?
Essa é a rota mais usada hoje. A família contrata um wealth advisor independente para a camada estratégica (plano patrimonial, governança, arquitetura sucessória, supervisão dos prestadores), mantém a execução com gestores e bancos já existentes, e internaliza funções conforme o patrimônio cresce. A primeira contratação interna costuma ser o controller, não o gestor.