Tabela de custos por modelo (2026)
| Modelo | Patrimônio mínimo | Custo declarado | Custo total efetivo |
|---|---|---|---|
| Banco privado tradicional | R$ 3-10 mi | 0% a 0,5% ao ano | 1,5% a 3% ao ano |
| MFO independente | R$ 10-30 mi | 0,5% a 1,5% ao ano (R$ 50-500 mil) | 0,7% a 1,8% ao ano |
| Wealth advisor fee-only | R$ 5 mi+ | R$ 30-200 mil/ano (fixo) | Igual ao declarado (sem fees implícitos) |
| Single family office | R$ 100 mi+ (idealmente R$ 300 mi+) | R$ 1-10 mi/ano | Igual ao declarado + custo de oportunidade |
Custo declarado vs custo efetivo: a diferença que importa
A maior fonte de erro de comparação no mercado é avaliar pelo fee declarado. Bancos privados operam com fee declarado próximo de zero ou explicitamente zero — a remuneração vem por dentro:
- Spread em renda fixa. O título tem yield real X; o cliente recebe X menos 0,5% a 1,5% que fica com o banco. Não aparece em fatura.
- Taxa de administração de fundos próprios. Banco oferece "soluções exclusivas" que são fundos de gestão própria com tax adm de 1,5% a 2,5% ao ano. Aparece no relatório, mas é tratado como custo do produto, não como fee do banco.
- Taxa de performance. 20% sobre retorno acima do CDI em fundos próprios.
- Comissões de IPO e ofertas. Cliente recebe alocação em IPOs; o banco recebe comissão da empresa emissora. Não é custo direto do cliente — mas afeta a seleção de investimentos oferecidos.
- Rebates de plataforma. Quando o banco distribui produtos de terceiros, recebe rebate da gestora. Comum no Brasil; o glossário tem entrada específica em rebate.
Somando tudo, o custo total efetivo de um banco privado tradicional fica na faixa de 1,5% a 3% ao ano sobre o patrimônio sob gestão — vezes maior que o fee declarado. MFOs independentes têm fees implícitos menores (não distribuem produtos próprios) mas ainda podem receber rebates de plataforma. Wealth advisors fee-only operam sob princípio explícito de zero comissão e zero rebate — toda a remuneração é o fee fixo declarado.
Composição do custo de cada modelo
Single family office (SFO)
O custo de um SFO é dominado por folha de pagamento. Composição típica de um SFO maduro:
- CIO (Chief Investment Officer): R$ 600 mil a R$ 2 mi/ano (com bônus)
- CFO/Controller: R$ 400 mil a R$ 1 mi/ano
- Jurídico interno: R$ 350 mil a R$ 800 mil/ano
- Analistas de investimento (2-4): R$ 200 mil a R$ 600 mil cada
- Equipe administrativa: R$ 150 mil a R$ 300 mil/ano cada (3-5 pessoas)
- Sede física, sistemas, auditoria, advogados externos: R$ 500 mil a R$ 2 mi/ano
Total típico: R$ 3 a R$ 10 milhões/ano. Para SFO ser viável, esse custo precisa ser pequeno relativo ao patrimônio (idealmente abaixo de 0,3% a 0,5% ao ano), o que requer R$ 300 milhões+.
Multi-family office (MFO)
Custo cobrado tipicamente como percentual do patrimônio sob acompanhamento (AUA — assets under advisement). Faixas:
- R$ 10-30 mi de patrimônio: 1% a 1,5% ao ano (R$ 100-450 mil/ano)
- R$ 30-100 mi: 0,7% a 1% ao ano (R$ 210 mil a R$ 1 mi/ano)
- R$ 100-300 mi: 0,4% a 0,7% ao ano (regressivo por degraus)
- Acima de R$ 300 mi: 0,2% a 0,5% ao ano + componente fixo
Wealth advisor independente fee-only
Custo tipicamente como honorário fixo anual, dimensionado pela complexidade do projeto (não pelo patrimônio absoluto). Faixas:
- Projeto inicial (Plano Diretor + implementação): R$ 50 mil a R$ 250 mil one-shot
- Acompanhamento contínuo: R$ 30 mil a R$ 200 mil/ano dependendo do escopo
- Camadas adicionais (mandato sucessório, governança formalizada, filantropia estruturada): negociadas separadamente
Vantagem central: independência absoluta. Toda a remuneração vem do cliente; nenhum rebate, comissão, spread embutido ou kickback de plataforma. O alinhamento é direto.
ROI: family office se paga sozinho?
A pergunta justa não é "quanto custa" — é "quanto entrega líquido do custo". Para uma família com R$ 30 milhões em patrimônio diversificado (imóveis, holding operacional, investimentos financeiros, sucessão pendente), as fontes típicas de ROI:
- Economia tributária recorrente: R$ 100-400 mil/ano (alocação fiscal de investimentos, otimização de holding, designações corretas)
- Custo sucessório evitado: R$ 800 mil a R$ 2,5 milhões em um evento sucessório (ITCMD apurado em base favorável + inventário extrajudicial)
- Eficiência de alocação: 0,5 a 1,5 ponto percentual de retorno líquido adicional ao ano vs portfólio com viés de produto próprio (R$ 150 a R$ 450 mil/ano sobre R$ 30 mi alocados)
- Risco evitado em estrutura inadequada: não quantificável diretamente, mas materialmente preservativo
Total típico de ganho líquido anual recorrente para uma família nesse porte: R$ 250 mil a R$ 850 mil. Para um wealth advisor fee-only de R$ 80-150 mil/ano, ROI bruto na faixa de 2x a 8x. Para um MFO de R$ 250-400 mil/ano, ROI bruto de 1x a 3x. Para SFO em patrimônios abaixo de R$ 100 mi, o ROI tipicamente não fecha — daí a recomendação de não subir um SFO prematuramente.
Como pedir orçamento sem ser enganado
- Pergunte explicitamente: "Qual o custo total efetivo, somando fee declarado + comissões + taxas de administração de produtos próprios + rebates de plataforma?"
- Peça relatório de transparência: lista de todos os fluxos financeiros que o provedor recebe relacionados ao seu patrimônio, vindos de qualquer fonte.
- Compare com modelo fee-only: peça o orçamento de pelo menos um wealth advisor independente que opere sob princípio de zero comissão. A diferença com bancos privados costuma ser reveladora.
- Solicite contrato escrito definindo perímetro: o que está incluído, o que é opcional, o que é cobrado à parte.
