Family office quanto custa

Family office quanto custa

Um family office no Brasil costuma cobrar 0,5% a 1,5% ao ano sobre o patrimônio acompanhado, em degraus regressivos sobre o patrimônio acompanhado. Em valores absolutos: R$ 50 mil a R$ 500 mil por ano, conforme porte e escopo num multi-family office, R$ 30 mil a R$ 200 mil por ano, dimensionado pela complexidade do projeto numa consultoria patrimonial com honorário fixo, e R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por ano num single family office com equipe própria.

Esse número responde metade da pergunta. O fee declarado é apenas a primeira das três camadas de custo. Somam-se a ele o que aparece dentro dos produtos sem estar no contrato (spread de renda fixa, taxa de administração de fundos da casa, taxa de performance) e o que sai do retorno antes de chegar até você (rebates de plataforma, custos transacionais embutidos). Um banco privado que anuncia fee zero costuma ter custo total efetivo estimado entre 1,5% e 3% ao ano quando somadas as camadas de remuneração por produto (spread de renda fixa, taxa de administração de fundos próprios, performance e comissões de distribuição) — estimativa que varia conforme o portfólio.

Para entender o que cada modelo entrega, veja o que é family office. Para a decisão por porte e perfil, family office vale a pena. As faixas numéricas desta página foram compiladas pela Roma Wealth Advisory em agosto de 2026, com metodologia e fontes descritas junto às tabelas abaixo.

Atualizado em

Tabela de custos por modelo (2026)

ModeloPatrimônio mínimoCusto declaradoCusto total efetivo
Banco privado tradicionalR$ 3-10 mi0% a 0,5% ao ano1,5% a 3% a.a. (estimado)
MFO independenteR$ 10-30 mi0,5% a 1,5% ao ano (R$ 50-500 mil)0,7% a 1,8% a.a. (estimado)
Consultoria patrimonial independenteR$ 5 mi+R$ 30-200 mil/ano (honorário fixo)Igual ao declarado, quando o contrato veda rebates
Single family officeR$ 100-150 mi+ (completa a partir de R$ 300 mi)R$ 1-10 mi/anoIgual ao declarado + custo de oportunidade

Faixas de referência compiladas pela Roma Wealth em agosto de 2026, a partir de propostas comerciais observadas no mercado brasileiro, tabelas públicas de prestadores e relatórios internacionais do setor (EY Family Office Guide; UBS Global Family Office Report). Valores indicativos, não vinculantes — variam conforme escopo, estado e complexidade de cada família.

Custo declarado e custo efetivo: a diferença que importa

Comparar prestadores só pelo fee declarado costuma produzir uma conclusão distorcida. O banco privado tende a anunciar fee próximo de zero porque parte da receita entra por outras portas:

  • Spread em renda fixa. O título rende X; você recebe X menos 0,5% a 1,5%, e a diferença fica com a instituição. Nenhuma fatura registra esse valor.
  • Taxa de administração de fundos da casa. As "soluções exclusivas" oferecidas na carteira são fundos de gestão própria com taxa de 1,5% a 2,5% ao ano. O valor aparece no relatório, classificado como custo do produto e não como remuneração do distribuidor.
  • Taxa de performance. Em geral 20% sobre o retorno acima do CDI, nos mesmos fundos da casa.
  • Comissões de ofertas e IPOs. Você recebe alocação; a instituição recebe comissão da empresa emissora. O custo não sai do seu bolso, mas define quais ativos chegam até a sua mesa.
  • Rebates de plataforma. Ao distribuir produtos de terceiros, o distribuidor recebe parte da taxa de administração da gestora. A prática é regulada e precisa ser divulgada; o glossário detalha em rebate.

Somadas, essas camadas costumam colocar o custo total efetivo de um banco privado estimado entre 1,5% e 3% ao ano quando somadas as camadas de remuneração por produto (spread de renda fixa, taxa de administração de fundos próprios, performance e comissões de distribuição) — estimativa que varia conforme o portfólio. Multi-family offices independentes tendem a carregar camadas menores, já que não distribuem produtos próprios, mas ainda podem receber rebate de plataforma. O termo fee-onlydescreve o desenho em que toda a receita do prestador vem do honorário pago pelo cliente, sem nenhuma outra fonte. É um conceito de mercado, com graus variados de aplicação no Brasil, e vale mais como critério de auditoria do que como rótulo: peça a lista completa de fontes de receita, não a etiqueta.

Vale separar dois serviços que costumam ser vendidos juntos. Recomendar valores mobiliários de forma individualizada é atividade regulada e exige autorização da CVM. Planejamento patrimonial, sucessório e tributário é outra atividade, com outra regulação. A pergunta certa na primeira reunião: quem, exatamente, está autorizado a fazer o quê, e quanto custa cada camada.

Composição do custo de cada modelo

Single family office (SFO)

Folha de pagamento domina o custo de um SFO. Composição típica de uma estrutura madura — faixas indicativas de mercado, agosto de 2026:

  • CIO (Chief Investment Officer): R$ 600 mil a R$ 2 mi/ano, com bônus
  • CFO ou controller: R$ 400 mil a R$ 1 mi/ano
  • Jurídico interno: R$ 350 mil a R$ 800 mil/ano
  • Analistas de investimento (2 a 4): R$ 200 mil a R$ 600 mil cada
  • Equipe administrativa (3 a 5 pessoas): R$ 150 mil a R$ 300 mil cada
  • Sede, sistemas, auditoria e advogados externos: R$ 500 mil a R$ 2 mi/ano

Total típico: R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por ano. Para o modelo fechar, para o modelo se sustentar, o custo total costuma precisar ficar entre 0,3% e 0,5% do patrimônio ao ano, o que tende a exigir R$ 300 milhões ou mais. Abaixo disso, a estrutura tende a consumir mais do que devolve. O comparativo de decisão está em single vs multi family office.

Multi-family office (MFO)

A cobrança usa percentual do patrimônio sob acompanhamento (AUA, assets under advisement), quase sempre com degraus regressivos: em regra, 1% a 1,5% a.a. até R$ 30 mi; 0,7% a 1% entre R$ 30 e 100 mi; 0,4% a 0,7% entre R$ 100 e 300 mi; 0,2% a 0,5% acima disso.

Confirme se os degraus são marginais ou aplicados sobre o total. A diferença entre as duas leituras chega a seis dígitos por ano em patrimônios acima de R$ 50 milhões. Mais detalhes sobre o modelo em multi-family office.

Consultoria patrimonial independente

O honorário é fixo e dimensionado pela complexidade do projeto, não pelo patrimônio absoluto. Faixas praticadas:

  • Projeto inicial, do diagnóstico à implementação: R$ 50 mil a R$ 250 mil, pagamento único
  • Acompanhamento contínuo: R$ 30 mil a R$ 200 mil por ano, conforme o escopo
  • Mandatos adicionais (sucessão, governança formalizada, filantropia): negociados à parte

Duas famílias com R$ 40 milhões cada podem pagar valores muito diferentes: a que tem um imóvel e uma carteira de fundos paga o piso; a que tem empresa operacional, imóveis em três estados, herdeiros menores e um sócio estrangeiro paga várias vezes isso. Como o honorário não acompanha o patrimônio, ele também não sobe quando o mercado sobe.

Family office se paga sozinho?

A pergunta útil vem depois do preço: quanto pode sobrar líquido do custo, e sob quais premissas. Não há garantia de captura — o resultado depende inteiramente da complexidade patrimonial existente para reorganizar. Exemplo hipotético e simplificado: uma família com patrimônio distribuído entre imóveis, empresa operacional e investimentos financeiros, com sucessão ainda não estruturada, poderia ter potencial de captura nas seguintes frentes:

  • Economia tributária recorrente: quando há espaço de alocação fiscal dos investimentos, revisão do regime da holding e enquadramentos a corrigir
  • Custo sucessório potencialmente evitado: quando a estrutura reduz a base de ITCMD ou viabiliza inventário extrajudicial no lugar do judicial
  • Eficiência de alocação: quando a carteira atual carrega viés de produto próprio e há espaço de retorno líquido adicional
  • Risco evitado por estrutura inadequada: sem número fechado, e em geral o item de maior impacto quando o evento acontece

O ganho líquido recorrente, quando existe, tende a variar bastante conforme o porte e a complexidade — por isso a estimativa acima não é generalizável a qualquer família. Um SFO abaixo dos patamares descritos em estruturas enxutas a partir de R$ 100–150 milhões; uma estrutura completa tende a fechar a conta a partir de R$ 300 milhões dificilmente tende a fechar a conta, e é por isso que subir a estrutura cedo demais costuma custar caro em dinheiro e em atenção.

Como pedir orçamento com clareza

  1. Pergunte pelo custo total efetivo, com a soma escrita: fee declarado, comissões, taxa de administração dos produtos indicados e rebates de plataforma.
  2. Peça um relatório de fontes de receita: todos os fluxos financeiros que o prestador recebe relacionados ao seu patrimônio, venham de onde vierem. Códigos de autorregulação da Anbima já exigem divulgação de remuneração na distribuição, então o pedido é legítimo e verificável.
  3. Cote pelo menos três modelos diferentes (banco privado, MFO independente e consultoria com honorário fixo) e compare pelo custo efetivo, nunca pelo declarado.
  4. Exija contrato escrito com o perímetro definido: o que está incluído, o que é opcional e o que é cobrado à parte.
  5. Peça a simulação do fee em dois cenários de patrimônio, um 30% acima e outro 30% abaixo do atual. A resposta mostra como o prestador se comporta quando o mercado vira.

Para o roteiro completo de perguntas — remuneração, escala, continuidade, escopo e regulação — ver como escolher family office.

Perguntas frequentes

Quanto cobra um family office?
No Brasil, um family office costuma cobrar 0,5% a 1,5% ao ano sobre o patrimônio acompanhado, em degraus regressivos. Em valores absolutos por modelo: multi-family office R$ 50 mil a R$ 500 mil por ano, conforme porte e escopo; consultoria patrimonial independente com honorário fixo R$ 30 mil a R$ 200 mil por ano, dimensionado pela complexidade do projeto; single family office com equipe própria R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por ano. O percentual tende a ser regressivo: quanto maior o patrimônio, menor a alíquota aplicada.
Quanto custa por mês uma holding familiar?
A manutenção mensal de uma holding familiar costuma ficar entre R$ 500 a R$ 3.000 por mês (contabilidade + despesas administrativas), conforme o número de imóveis, sócios e regime tributário. A abertura é um custo separado, de R$ 5 mil a R$ 40 mil, conforme a complexidade: estruturas simples partem de R$ 5–15 mil; casos com imóveis, doação com usufruto e cláusulas restritivas costumam ficar entre R$ 15 e 40 mil. Uma holding com poucos imóveis e receita apenas de aluguel tende a ficar no piso da faixa; holdings com participação em empresas operacionais e vários sócios tendem a ficar acima.
Qual o patrimônio mínimo para contratar um family office?
Multi-family offices no Brasil costumam trabalhar a partir de R$ 10–30 milhões, com concentração real de clientes entre R$ 20 e R$ 100 milhões. Single family offices estruturas enxutas a partir de R$ 100–150 milhões; uma estrutura completa tende a fechar a conta a partir de R$ 300 milhões. Abaixo desses patamares, a consultoria patrimonial com honorário fixo tende a entregar escopo de planejamento equivalente por uma fração do custo, porque não precisa diluir uma estrutura permanente.
Por que o custo declarado de um banco privado parece menor que o de um multi-family office?
Porque a comparação usa duas bases diferentes. Parte da remuneração do banco privado tende a entrar por dentro dos produtos: spread na renda fixa, taxa de administração dos fundos da casa, taxa de performance, comissão de ofertas e rebate na distribuição de produtos de terceiros. Nada disso aparece como fee de consultoria. Somadas, essas camadas fazem o custo total efetivo ficar estimado entre 1,5% e 3% ao ano quando somadas as camadas de remuneração por produto (spread de renda fixa, taxa de administração de fundos próprios, performance e comissões de distribuição) — estimativa que varia conforme o portfólio, mesmo quando o fee declarado é 0% a 0,5% ao ano no fee declarado. O multi-family office costuma cobrar a maior parte da receita de forma explícita, o que faz o número declarado subir e o custo total cair.
Como o fee é calculado em um multi-family office?
Três modelos coexistem no mercado brasileiro. Fee sobre patrimônio acompanhado, 0,5% a 1,5% ao ano sobre o patrimônio acompanhado, em degraus regressivos. Fee fixo, R$ 100 mil a R$ 500 mil por ano nos modelos de honorário fixo. Modelo híbrido, com um fixo cobrindo o serviço-base e um variável sobre mandatos adicionais. A escolha tende a mudar o incentivo: fee sobre patrimônio recompensa o crescimento do volume sob acompanhamento; fee fixo separa a remuneração do tamanho da conta.
O que está incluído no custo declarado de um family office?
Em regra: alocação estratégica, monitoramento de gestores e produtos, reportes consolidados, planejamento tributário e sucessório, coordenação jurídica patrimonial e governança familiar. Em regra fora do perímetro: honorários de bancas tributaristas externas, custas cartorárias e emolumentos, taxa de administração dos fundos investidos e auditoria independente. O contrato precisa listar as duas colunas. Perímetro em aberto costuma ser a origem mais comum de conflito no segundo ano de relação.
Family office se paga sozinho com a economia tributária?
Depende da complexidade, não do tamanho do patrimônio, e não há garantia de captura. Exemplo hipotético e simplificado: uma família com patrimônio distribuído entre imóveis, empresa operacional e investimentos financeiros, com sucessão ainda não estruturada, pode ter potencial de captura entre economia tributária recorrente, custo sucessório evitado e ganho de eficiência na alocação — a depender inteiramente de quanto há para reorganizar. Um patrimônio do mesmo tamanho concentrado em CDB de um único banco tende a capturar muito menos, porque há pouco a reorganizar.

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